quarta-feira, 27 de junho de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Wrath Of The Titans (2012)

Após o fracasso que foi o primeiro filme seria difícil de acreditar que iriam fazer outro. Wrath Of The Titans, de Jonathan Liebesman, vem tentar recuperar a sua honra e superar o seu antecessor, Clash Of The Titans. Tal tarefa não seria, normalmente, difícil e este conseguiu definitivamente superar o anterior mas não convence totalmente, continua com erros semelhantes mesmo depois de uma mudança de realizador e argumentistas.

Dez anos depois dos acontecimentos do primeiro filme, Perseus (Sam Worthington), agora viúvo e pai de Helius (John Bell), vê-se forçado, mais uma vez, a enfrentar Hades (Ralph Fiennes) agora aliado com Ares (Édgar Ramirez) planeiam soltar Cronos da sua prisão, Tartarus. Com os deuses cada vez mais fracos devido à falta de veneração pelos humanos, cabe a Perseus, Agenor (Toby Kebbell), filho de Poseidon, e Andromeda (Rosamud Pike) porem fim à ameaça.

O ritmo demasiado acelerado dos acontecimentos era algo que esperava não ter de ver nesta sequela, já que foi um dos grandes pontos negativos do anterior, o que tira qualquer possibilidade de desenvolvimento de personagens. Embora Wrath Of The Titans tenha melhorado um pouco nesse aspecto, não deixa de tentar mostrar e contar muita coisa ao mesmo tempo e têm que se apressar para caber tudo em 90 minutos, nos quais passamos maior parte do tempo a ver a personagem principal a levar uma tareia e a dar a volta à coisa dum momento para o outro. Com pouco tempo e espaço de manobra é complicado que os actores envolvidos consigam tirar partido da situação e acabam com desempenhos que por muito bons que sejam, não passam do satisfatório. O ponto alto de todo o filme serão as actuações de Liam Neeson e Ralph Fiennes como Zeus e Hades, respectivamente, com um desempenho que ilumina a escuridão do resto do filme, e são as únicas personagens com algum desenvolvimento concreto. A realização não é nada de especial e o argumento é fraco, tendo em conta que o orçamento para este filme foi aumentado desde o anterior.

Será um filme que devam ver? Não. Completamente descartável, tal como o primeiro, embora um pouco mesmo doloroso. Se já viram o Clash Of The Titans não perdem nada em ver este também, simplesmente por motivos de continuidade, ou se forem como eu e queiram tentar encontrar algum conforto numa pequena melhoria, numa série com um potencial tremendo, mas com péssima execução.


Titulo Original: Wrath Of The Titans (2012, EUA)
Realizador: Jonathan Liebesman
Argumento: Dan Mazeau; David Johnson; Greg Berlanti
Intérpretes: Sam Worthington; Liam Neeson; Toby Kebbell; Rosamund Pike; Ralph Fiennes; John Bell; Édgar Ramirez
Música: Javier Navarrete
Fotografia: Ben Davis
Género: Aventura; Acção; Fantasia
Duração: 99 minutos

Banda Sonora: "Charlie's Angels: Full Throttle"

Danger! High Voltage, de Electric Six.




Há filmes que valem por si. Depois há outros que valem pela sua banda sonora. Charlie's Angels: Full Throttle é um dos últimos. A qualidade do filme (ou a falta dela) não está em causa, mas é difícil não gostar de algo que combina mulheres bonitas à porrada e músicas de gente como David Bowie, The Who ou The Beach Boys. Esta, dos Electric Six, tem o benefício de ter um dos videoclips mais aleatórios alguma vez feitos. E Jack White, alegadamente, nos vocais femininos. Há mesmo males que vêm por bem!

sábado, 23 de junho de 2012

Trailer de "Anna Karenina"

Anna Karenina, a mais recente adaptação do romance homónimo de Tolstoy, ganhou um trailer. A fita, com estreia prevista para o último trimestre deste ano, conta com nomes como Keira Knightley, Jude Law, Aaron Johnson e Emily Watson, entre outros, nos principais papéis da obra. A cadeira de realizador pertence a Joe Wright, já com provas dadas na direcção de filmes de época, depois de Pride & Prejudice e Atonement.


Trailer de "Dredd"

Foi divulgado o primeiro trailer de Dredd, remake de um filme de Stallone dos anos 90. O protagonista nesta tirada será Karl Urban na pele do vigilante que dá nome à fita e a realização ficará a cargo de Pete Travis (Vantage Point). A estreia está prevista para 11 de Outubro em Portugal.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Trailer de "Monsters University"

Monsters University já tem trailer! A prequela de Monsters, Inc. passar-se-á nos tempos de universidade de Mike e Sulley e contará na mesma com vozes de John Goodman, Billy Crystal, Steve Buscemi, entre outros. Pena mesmo é a fita só ter estreia marcada para o Verão do próximo ano.


Citações: "Fear and Loathing in Las Vegas"

(para a noite mais curta do ano)

«There he goes. One of God's own prototypes. Some kind of high-powered mutant never even considered for mass production. Too weird to live, and too rare to die.»
Raoul Duke

Johnny Depp e Benicio Del Toro em Fear and Loathing in Las Vegas.

Boa noite!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Novo Trailer de "The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2"

Foi divulgado um novo teaser trailer de The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2. O filme tem estreia agendada em Portugal para 15 de Novembro.


Melancholia (2011)

«The Earth is evil. We don't need to grieve for it.»

É preciso alguma paciência para aguentar as pouco mais de duas horas de Melancholia. Não muita, é certo, mas alguma. Ou não se tratasse de um filme de Lars von Trier, difícil de digerir e pleno de simbolismo. O prólogo, um dos mais belos de qualquer filme do dinamarquês, resume bem o grosso da obra e apresenta logo o desfecho inevitável: um planeta vai chocar com a Terra e destruí-la. Não há volta a dar e nada do que se faça pode impedir que tal destino se concretize. E, sabendo isso, somos transportados para alguns meses antes do fatídico acontecimento, para outra altura, para um casamento. E, não fosse o infinito um símbolo fechado, assim se vai partindo do particular até se alcançar o geral.

Justine (Kirsten Dunst) está infeliz no dia do seu próprio casamento. Ao que tudo indica, o sentimento vem de trás, mas atinge proporções quase catastróficas naquele que devia ser um dos dias mais felizes da sua vida. A festa, desfasada da realidade da situação, e muito maior do que Justine previu quando a pediu à irmã e ao cunhado, não a consegue retirar da melancolia que sente, fazendo-a procurar abrigo onde quer que o encontre. Entre visitas regulares ao sobrinho pequeno que já se foi deitar, a banhos em alturas impróprias e passeios no campo de golfe da propriedade, tudo serve de desculpa para a noiva se afastar da multidão. O noivo (Alexander Skarsgård, de True Blood), a irmã (Charlotte Gainsbourg) e o cunhado (Kiefer Sutherland) também não parecem capazes de a arrancar da depressão. O seu patrão (Stellan Skarsgård) está mais interessado em arranjar um slogan para a sua nova campanha publicitária do que na felicidade do casal. E, assim, com o final da noite chega também o final do casamento, curto e amargo, logo quando se começa a fazer notar no céu noturno um astro estranho.

Claire, a outra irmã, segue o caminho oposto ao de Justine. Controlada e controladora, julga que o melhor remédio para Justine são as mesmas regras pelas quais vive. O casamento foi já há meses, e sem nada que a tire do marasmo em que vive desde então, Justine vai viver com Claire, o seu marido e o filho de ambos. Já se sabe que o astro desconhecido que se vira anteriormente é o planeta Melancholia, votado a passar pela Terra brevemente num acontecimento raro, se não mesmo inédito. Claire está assustada com uma possível colisão entre os dois planetas, mas Jack, um astrónomo amador, assegura-lhe que tal não acontecerá. Sob esse mote, e com o conhecimento prévio adquirido pelo espectador, caminha-se para as imagens finais do prólogo, numa dança da morte semelhante à dos astros.

Depois de uma conferência de imprensa polémica em Cannes, aquando da antestreia da fita, e da atribuição do título de persona non grata do festival a Lars von Trier, Melancholia revelou-se uma das obras mais interessantes do cineasta dinamarquês. Longe das rígidas regras do movimento Dogme 95, do qual foi fundador, e do seu "voto de castidade", o realizador produziu uma metáfora impressionante, mesmo que demasiado óbvia, sob a forma de um planeta gigante que esmaga a Terra, da depressão que tantas vezes o afectou ao longo da sua carreira e o impediu de trabalhar. O prólogo de Melancholia, cheio de efeitos e manipulação de imagens, ou a sua fotografia maravilhosa seriam impensáveis há um década num filme de von Trier. Mas, mais um vez, o dinamarquês decidiu quebrar barreiras e surpreender quase toda a gente. Algumas das características mais marcantes do seu cinema ainda se encontram presentes, como a câmara operada por ele próprio, trémula e sempre tentando capturar o real das suas personagens, ou as referências a música clássica, mas, livre de restrições, von Trier vai expandindo a sua obra.

Dividido em duas partes, uma por cada irmã, e fazendo cada uma delas sentir os efeitos da catatonia depressiva que também atingiu o realizador no passado, Melancholia tem tanto de belo como de assombroso. Todas as personagens são projecções ora de Justine, ora de Claire, um microcosmo representado numa família. Entre cenas de um lirismo extraordinário (Justine nua mirando Melancholia no céu, consciente do seu destino e indiferente a ele é um dos exemplos) e mistérios esotéricos (o buraco 19), é possível encontrar na fita momentos de puro deleite cinematográico, com von Trier negando tudo e todos com um niilismo delicioso, embora desanimador. Porque o desânimo e a frustração são faces de uma mesma moeda, e quem começa o filme de uma maneira é certo que o acabe da outra. Ou não fosse o infinito um símbolo fechado.


Título Original: Melancholia (Alemanha/Dinamarca/França/Suécia, 2011)
Realizador: Lars von Trier
Argumento: Lars von Trier
Intérpretes: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Alexander Skarsgård, Kiefer Sutherland, Cameron Spurr, Stellan Skarsgård, John Hurt
Fotografia: Manuel Alberto Claro
Género: Drama, Ficção-Científica
Duração: 136 minutos


terça-feira, 19 de junho de 2012

Dylan Dog: Dead of Night (2011)

«No pulse? No problem.»

Dylan Dog é filho dos fumetti, mistura entre policial de índole negra, terror a fazer lembrar várias épocas douradas do género, humor acutilante, retórica anti-burguesa e surrealismo. Na passagem para o cinema optou-se por fazer cair o ecletismo de estilos que marca o material original e enveredar por um ambiente quase exclusivamente policial com criaturas folclóricas a fazerem as vezes do terror. Mais, mudou-se o parceiro de Dylan de um sósia de Groucho Marx para um zombie em decomposição, riscando da acta o humor característico do primeiro, substituindo-o por piadas fáceis à custa do estado do segundo. Tudo bem, até aí o filme poderia funcionar, fossem jogadas as próximas cartadas de forma sábia e calculada. E é exactamente nesse ponto que entra em cena Brandon Routh (e o seu soberbo penteado) como Dylan Dog, fazendo cair a derradeira gota de água neste fiasco. Mudanças de parceiros ainda são suportáveis, o abandono do discurso anti-burguês e do quase-surrealismo que pautava (e ainda pauta) as páginas das estórias da BD compreensível, agora espetar o antigo Clark Kent como o investigador do paranormal que dá nome à película é um abuso à paciência de qualquer espectador, principalmente dos seguidores da obra de Tiziano Sclavi, que mereciam um nome mais sério a desempenhar o adorado anti-herói. Raios, até Dylan o merecia.

E já que se está numa onde de mudanças, passa-se de Londres para Nova Orleães, não vão os norte-americanos estranhar que haja vampiros e lobisomens fora do seu burgo. O mesmo já havia sido feito em Constantine, reforçando ainda mais a ideia de que Dylan Dog, o filme, foi uma tentativa de imitar a adaptação cinematográfica da BD da DC Comics, acabando como uma espécie de Constantine série-B. Ou, já agora, série-C - é complicado decidir. E entre licantropos e sugadores de sangue, Dylan vai lutando por manter a trégua entre as espécies e os humanos, acabando, no final, por ter de enfrentar um demónio que aparece quase ao estilo de um deus ex machina mal planeado. E sem nunca estragar o seu impecável penteado.

Como filme, Dylan Dog: Dead of Night simplesmente não resulta. Como film noir, ainda pior. Limitado pelas suas próprias imposições e por um protagonista inapto, o filme nunca chega a arrancar, perdendo-se entre inúmeros clichés e buracos no argumento. Há muito que Brandon Routh como actor não engana ninguém, a não ser, talvez, os responsáveis pelo casting deste Dylan Dog. Terá sido do seu fantástico cabelo? Sam Huntington, o parceiro zombie, surge demasiado ridículo na sua busca por peças sobressalentes e a femme fatale, sendo demasiado generoso na utilização do termo, Anita Briem não acrescenta nada ao filme mesmo quando o devia fazer (a sério, ninguém daria pela sua falta se ela lá não estivesse). Taye Diggs e até Peter Stormare também se nivelam por baixo, já para não falar de Kurt Angle, antigo lutador da WWF e vencedor da Medalha de Ouro em Luta Greco-Romana nos Jogos Olímpicos de Atlanta. Nenhum, no entanto, aparece pior do que Routh e o seu cabelo maravilhosamente modelado. Lamentavelmente mau, para lá do camp, Dylan Dog: Dead of Night é incapaz de formar o seu próprio carácter, não sendo mais do que um fraco exercício de cinema. E será que já referi que o pior da fita é mesmo Brandon Routh e o seu admirável cabelo?


Título Original: Dylan Dog: Dead of Night (EUA, 2011)
Realizador: Kevin Munroe
Argumento: Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer (baseado na BD de Tiziano Sclavi)
Intérpretes: Brandon Routh, Anita Briem, Sam Huntington, Taye Diggs, Kurt Angle, Peter Stormare
Música: Klaus Badelt
Fotografia: Geoffrey Hall
Género: Comédia, Fantasia, Mistério, Terror, Thriller
Duração: 107 minutos


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Trailer de "Pitch Perfect"

Com o sucesso recente das comédias musicais, estreia nos EUA dia 5 de Outubro Pitch Perfect, protagonizado por Anna Kendrick. A realização ficará a cargo do estreante Jason Moore.


domingo, 17 de junho de 2012

Little Deaths (2011)

Poucas cinematografias sabem explorar os benefícios de uma antologia como a britânica. Desde os anos 50, passando pelo período áureo da Hammer uma década mais tarde, os súbitos de Sua Majestade cedo perceberam que colecções de pequenas histórias lhes permitiam explorar num só filme vários conceitos cinematográficos enquanto reuniam diferentes realizadores sob uma mesma batuta. Infelizmente, Little Deaths não foi capaz de aproveitar a oportunidade, resultando apenas numa enorme confusão de fluídos corporais. Sangue e sexo, temas condutores da trama, estão presentes em abundância, mesmo que figurativamente, nos três segmentos da película, não fosse o seu nome derivado de uma metáfora francesa para "orgasmo". Já por aí se afiguram as linhas gerais pelas quais esta obra se guia.

As estórias vão melhorando com o filme. Se a primeira é assumidamente má e a segunda sofrível, a terceira é, no mínimo, interessante. Todas sobre casais que vivem a sexualidade de forma pouca convencional, todas sobre aspectos sombrios que se escondem dentro das casas de cada um. Sádicos raptores de raparigas sem-abrigo, mutantes cujo esperma em forma de comprimidos (sim, leram bem) cria outros mutantes e sadomasoquistas cansados dos jogos de poder da relação. Curioso conjunto de personagens que peca, talvez, por exagerar na bizarria. Os primeiros têm mais olhos do que barriga, os segundos, ela uma prostituta, ele o seu antigo chulo agora apaixonado por ela, têm mais barriga do que olhos, os últimos não têm barriga nem olhos, mas acabam por ser os melhores. O que levanta uma série de questões interessantes. Quando se trata de atribuir pesos relativos a filmes, como se avalia uma antologia? Pelo grosso da obra ou pelas melhores partes? Somam-se as partes ou faz-se uma média de tudo? Vale a pena ver 90 minutos de filme apenas pelos últimos 30? Há meses, aquando do Fantasporto 2012, publicou-se no blog uma crítica a The Theatre Bizarre, filme apresentado em moldes semelhantes, e os mesmos problemas levantaram-se, quais fantasmas prontos a assombrar qualquer tentativa de crítica. No final, optou-se por somar todas as partes envolvidas e calcular algo parecido com uma média de tudo o que se viu em filme. 60 minutos de seca para encontrar algum oásis num pedaço de terror psicológico transformado em drama familiar. Quanto a mim, vale a pena, mas que custa, lá isso custa.


Título Original: Little Deaths (Reino Unido, 2011)
Realizador: Sean Hogan, Andrew Parkinson, Simon Rumley
Argumento: Sean Hogan, Andrew Parkinson, Simon Rumley
Intérpretes: Luke de Lacey, Holly Lucas, Siubhan Harrison, Jodie Jameson, Rob 'Sluggo' Boyce, Daniel Brocklebank, Tom Sawyer, Kate Braithwaite
Música: Richard Chester
Fotografia: Milton Kam
Género: Terror
Duração: 94 minutos


Citações: "Everything Is Illuminated"

«Many girls want to be carnal with me... because I'm such a premium dancer!»
Alex

Eugene Hutz e Elijah Wood em Everything Is Illuminated.

sábado, 16 de junho de 2012

Beastly (2011)

Resumir filmes em frases únicas costuma dar mau resultado, amiúde extirpando obras de quase toda a sua profundidade e reduzindo-as à sua dimensão mais visível e superficial. Contudo, para Beastly tal exercício revela-se mais abonatório do que prejudicial, sendo mais do que suficiente para analisar um filme com falta de qualidade e substância. "A Bela e o Monstro da geração smartphone" - singela descrição da fita que, infelizmente, chega e sobra para perceber o que se estava a tentar vender. Quem estiver familiarizado com a estória (não faltarão por aí leitores que recordem com uma nostalgia que nunca hei-de compreender a animação produzida pela Disney no início da década de 90) não encontrará em Beastly nada de novo. Quem não estiver, o trailer e o poster chegarão para se ter uma ideia do que está para vir. Rapaz privilegiado, bonito e rico, não dá valor ao que tem. Bruxa dotada de uma moralidade que vem mesmo a calhar decide dar-lhe uma lição e desfigura-o. Rapariga pura é a única hipótese do rapaz, que por esta altura abandonou a sua característica arrogância e sentido de superioridade, quebrar a maldição e voltar a ter a cara com que nasceu. Do original para esta adaptação, o "Monstro" perdeu o pêlo e as garras e ganhou cicatrizes, tatuagens e queimaduras. Fora isso, as novidades no enredo são poucas. Começa logo aí a óbvia derrota de Beastly, que falha em se afirmar mesmo dentro de um mercado pautado pela pobreza de conteúdo.

Quando o melhor de um filme passa por Mary-Kate Olsen como bruxa teen gótica algo de errado se passa. Alex Pettyfer vai tentando, mas continua a ser, no máximo, um fraco actor, incapaz de emprestar qualquer sentido de profundidade às personagens que interpreta. Melhor, no entanto, que Vanessa Hudgens, sempre com ar de quem está em cena por algum favor que fez ou lhe fizeram, dificilmente ainda sem ninguém que lhe diga que a representação não é, de todo, o seu forte. O resto do elenco, incluindo os "emprestados" pela televisão, quase não interferem na história e falham em causar uma impressão na audiência, seja ela qual for. Com tudo isto, Daniel Barnz, que tinha assinado um curioso exercício de cinema com Phoebe in Wonderland, deu um passo atrás na sua carreira, não criando expectativas em relação ao que se seguirá com o seu nome incluído no lote de responsáveis. A lição a tirar de Beastly? Pior do que humilde ou sensível, é complicado ser feio.


Título Original: Beastly (EUA, 2011)
Realizador: Daniel Barnz
Argumento: Daniel Barnz (baseado no livro de Alex Flinn)
Intérpretes: Alex Pettyfer, Vanessa Hudgens, Mary-Kate Olsen, Neil Patrick Harris, LisaGay Hamilton, Roc LaFortune, Peter Krause
Música: Marcelo Zarvos
Fotografia: Mandy Walker
Género: Drama, Fantasia, Romance
Duração: 86 minutos



Trailer de "Resident Evil: Retribution"

13 de Setembro chega às salas de cinema nacionais Resident Evil: Retribution, quinto filme da série, e o terceiro realizado por Paul W.S. Anderson. Milla Jovovich, mulher do realizador, é mais uma vez a protagonista da fita, com nomes como Michelle Rodriguez e Kevin Durand a acompanharem-na num elenco alicerçado nos anteriores capítulos da franquia.


Monster Brawl (2011)

«I haven't seen an abdomen attack like this since King Hippo back in '88.»

Um campeonato de luta-livre, ao estilo WWF, pelo título de campeão mundial entre oito dos monstros mais conhecidos. Ora, aqui está algo que nunca pensei chegar a ver e as origens de tal ideia serão, eternamente, um mistério para mim. Monster Brawl, realizado por Jessie T. Cook, é algo que nunca irei compreender como chegou a ser, muito menos com um elenco de actores bastante conhecidos, entre os quais Art Hindle, Dave Foley e Lance Henriksen, tendo em conta o orçamento relativamente baixo.

O campeonato é dividido em duas categorias, a categoria de mortos-vivos e a categoria de criaturas. Cada uma das categorias possui dois monstros que lutam pelo titulo de peso-médio da respectiva categoria, na categoria das criaturas temos Witch Bitch, uma bruxa perseguida pela sua aldeia, e Cyclops, que procura vingar-se do deus grego Hades, e na categoria dos mortos vivos temos Lady Vampire, a última da sua espécie, e The Mummy, antigo faraó egípcio King Khafra. Depois temos os combates de peso-pesado de cada categoria que levam à final entre o vencedor dos mortos-vivos e o vencedor das criaturas, na categoria das criaturas temos Werewolf, que busca vingar-se de todos os monstros, e Swap Gut, um monstro do pântano em vias de extinção que odeia a poluição, e na categoria de mortos-vivos, Frankenstein (Robert Maillet), «It's actually the Frankenstein Monster, if you wanna be a dick about it», e Zombie Man, um zombie treinado num quartel militar pelo Colonel Crookshank (Kevin Nash). Como seria de esperar, ao longo das lutas contamos com os comentários de Buzz Chambers (Dave Foley) e Sasquatch Sid Tucker (Art Hindle), que fazem lembrar os comentadores icónicos da WWF e WWE, e para manter a integridade dos combates, Herb Dean é o árbitro escolhido. Para juntar a toda esta trapalhada, o locutor não é nada mais, nada menos, que o mundialmente reconhecido "Mouth From The South", Jimmy Hart.

Escusado será dizer que isto não é receita para ser um bom filme, tirando as participações de cara já conhecidas, tanto no cinema como no mundo da WWF, e a narração de Lance Henriksen, isto é um filme do mais rasca possível. Os comentários dos combates são, definitivamente, o ponto alto de Monster Brawl. A maquilhagem usada para os monstros é algo que já não se via desde os anos '80 com efeitos especiais péssimos, e tendo em conta que quase nunca são usados. As actuações são más e é tudo tão falso que é óbvio que não foi algo feito para ser sério, mas sim para entreter os amantes hardcore de terror e de wrestling, enquanto cria umas gargalhadas valentes face às situações ridículas e desempenhos rídiculos.

Se forem fãs da WWF, WWE, UFC, etc., e fãs de terror clássico então Monster Brawl é um filme que não vão querer perder, no entanto devem encará-lo como uma paródia e uma grande piada pois não será mais que isso. É típico filme para se ver em grupo, e claramente um filme de festival, mas não fiquem desiludidos se o vosso monstro de eleição não leve o título para casa.


Título Original: Monster Brawl (EUA, 2011)
Realizador: Jessie T. Cook
Argumento: Jessie T. Cook
Intérpretes: Dave Foley; Art Hindle; Jimmy Hart; Robert Maillet; Herb Dean; Kevin Nash; Jason David Brown; Lance Henriksen; Rico Montana; Holly Letkerman; Kelly Couture; Ari Millen; John Geddes
Música: Todor Kobakov
Fotografia: Brendan Uegama
Género: Comédia; Terror
Duração: 89 minutos


Real Steel (2011)

Rocky a vapor.

Lançado depois da época alta dos blockbusters, Real Steel prometia pouco. Claro que nomes como Spielberg, Zemeckis (produtores executivos) ou Danny Elfman (banda sonora original) lhe davam algum encanto, mas era difícil encará-lo como um filme sério, algo mais do que um produto da nova Hollywood, procurando facturar à custa de histórias recicladas e público incauto. Mas e se a história reclicada fosse da autoria de Richard Matheson (o mesmo que escreveu I Am Legend) e a fita contasse com fotografia de Mauro Fiore (vencedor de um Oscar pelo seu trabalho em Avatar)? Com tantos nomes grandes envolvidos na produção, sem contar com o elenco, era complicado não sentir a mínima curiosidade em relação a Real Steel. Seria tão mau como o esperado? Haveria algo que salvasse da fúria dos críticos um filme que estaria condenado logo à partida?

Num futuro próximo, o boxe robótico tornou-se o desporto-rei. As multidões deliram com tecnologia a andar à porrada com tecnologia (ou com touros, como no início do filme) e não é de estranhar que cedo após o aparecimento da modalidade se tenha criado uma Liga Mundial com robots de tudo o que é sítio a combaterem pelo primeiro lugar e o cinto de campeão. Os humanos também têm lugar nesta actividade, mas apenas como controladores à distância dos dispositivos mecânicos. Charlie Kenton é um antigo pugilista que, com a decadência do seu desporto, se voltou para a variante robótica do boxe. Sem grande jeito para a coisa, vai perdendo robots uns atrás dos outros, gastando todo o seu dinheiro na procura do lutador que finalmente lhe dê a fama e a fortuna que tanto quer. Só que em vez de um robot encontra Max, o filho que há muito deixou para trás. Charlie tem em Max uma hipótese de se redimir dos erros do passado, mas será ele capaz de se tornar um pai quando tudo a que está habitudo é ser um lutador?

Pai ausente, filho abandonado, robot-lutador desprezado - a tríade em que este Real Steel monta alicerces. Não fosse o último elemento e seria um drama familiar sofrível, desprovido de particular interesse e com um casting pouco mais do que inadequado. Com robots pugilistas à mistura passa a filme de acção sci-fi com um bocadinho de drama à parte. O cinema tem destas coisas. Personagens planas, enredo previsível, muita CGI e um final demasiado family-friendly. Tudo o que normalmente estraga um filme aqui faz com que ele resulte. Hugh Jackman e Evangeline Lilly, nomes maiores do elenco, aparecem demasiado discretos para o bem da película. Do lado oposto do espectro, Dakota Goyo e os efeitos visuais surgem em destaque, salvando o que havia para salvar de um filme que se esperava mediano. Não dizendo que é bom, o resultado final poderia ter sido bem pior. No geral, Shawn Levy, habituado a comédias familiares, assina em Real Steel um filme de acção competente. Dizer mais do que isso seria exagerar, menos seria injusto. Mediania no espectro cinematográfico do início ao fim, com o meio a fazer lembrar o suficiente Rocky para evitar traçar paralelos óbvios entre as duas obras.


Título Original: Real Steel (EUA/Índia, 2011)
Realizador: Shawn Levy
Argumento: John Gatins, Dan Gilroy, Jeremy Leven (baseado no conto de Richard Matheson)
Intérpretes: Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Kevin Durand, Karl Yune, Olga Fonda
Música: Danny Elfman
Fotografia: Mauro Fiore
Género: Acção, Desporto, Drama, Ficção-Científica
Duração: 127 minutos


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Banda Sonora: "Dark City"

Sway, de Norman Gimbel e Pablo Beltrán Ruiz, interpretada por Jennifer Connelly.




Em 1998 o Mundo assistiu ao aparecimento de Dark City, um thriller noir sobre uma sociedade distópica que se revelou uma das melhores peças de Ficção-Científica da década. Na fita, a personagem de Jennifer Connelly, cantora num clube nocturno, interpreta uma versão de Sway, cantiga popularizada na década de 50 por nomes como Dean Martin ou Rosemary Clooney. Os vocais de Connelly, nas versões comerciais dobrados por Anita Kelsey, foram restaurados para o Director's Cut da obra, podendo ser ouvidos neste breve vídeo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Banda Sonora: "Forgetting Sarah Marshall"

Dracula's Lament, de Jason Segel.




Quem já viu Forgetting Sarah Marshall certamente lembra-se da música que a personagem de Jason Segel, Peter Bretter, escreveu para o seu musical com fantoches sobre Drácula e a sua vida amorosa. Esta versão, ligeiramente mais "animada" do que a original, foi tocada no 1000º episódio do The Late Late Show with Craig Ferguson. Curiosamente, a personagem que deu fama a Jason Segel na sitcom How I Met Your Mother chama-se... Marshall!

Trailer de "Flight"

Foi divulgado o primeiro trailer de Flight, o mais recente projecto de Robert Zemeckis. A fita, com estreia agendada nos EUA para 2 de Novembro, conta com Denzel Washington como protagonista.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Trailer de "360"

360, a mais recente obra de Fernando Meirelles (Cidade de Deus), já ganhou trailer. O filme com estreia agendada em Portugal para 23 de Agosto conta com interpretações de nomes como Anthony Hopkins, Jude Law, Rachel Weisz, Ben Foster e Moritz Bleibtreu e argumento da autoria de Peter Morgan (The Queen, Frost/Nixon).


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dark Shadows (2012)

Sombras da Escuridão é uma produção de 2012 do mais que premiado e reconhecido Tim Burton e, como já seria de esperar, conta com a participação de Johnny Depp que tem sido o protagonista de inúmeras longas-metragens da autoria de Tim.

A família Collins com o intuito de expandir a sua riqueza e o seu poderio parte numa expedição rumo ao Novo Mundo para posteriormente erguer uma colónia desde a sua raiz. Daí nasceu Collinsport, uma pequena vila cuja economia residia no mundo das pescas e conservas devido à sua localização costeira. Tendo em conta que foram os Collins os fundadores da vila, eles eram extremamente abastados e influentes dentro dela, habitando uma mansão que demorara 15 anos a ser erguida. Eles tinham tudo até que uma história de amor distorcida e macabra viria a deitar tudo por água abaixo. Uma das empregadas da mansão de nome Angelique (Eva Green), que infelizmente se tratava de uma feiticeira, ao ver o seu amor por Barnabas Collins (Johnny Depp) não correspondido amaldiçoa-o para sempre sob forma de vampiro, mata os seus pais e manipula o amor da vida dele a cometer suicídio recorrendo a magia negra.

Este filme é bastante bom na minha opinião, destacando, principalmente, o papel desempenhado por Johnny Depp que consegue vestir o papel de um vampiro eternamente miserável e destruído emocionalmente duma forma extraordinária. Outra situação a salientar nesta longa-metragem consiste na participação de Alice Cooper, um artista cuja aparência encaixa perfeitamente no cenário onde decorre a acção. Uma combinação perfeita entre o argumento e a banda sonora.

Quando se menciona a estreia de um novo filme de Tim Burton as expectativas são sempre altas e o preview apenas o confirmava. O único problema deste filme é que o trailer anunciava um filme puramente de comédia quando, na verdade, a fita gira em torno de uma história de amor com apenas alguns momentos que geram gargalhadas entre os espectadores. Tendo isso em conta, muitos espectadores poderão ter saído decepcionados das salas de cinema, estando à espera de mais comicidade. Independentemente disso, é decididamente um filme a ter em conta e que vale a pena a sua visualização.


Título Original: Dark Shadows (EUA, 2012)
Realizador: Tim Burton
Argumento: Seth Grahame-Smith, John August (baseado na série de televisão de Dan Curtis)
Intérpretes: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jackie Earle Haley, Chloë Grace Moretz
Música: Danny Elfman
Fotografia: Bruno Delbonnel
Género: Comédia, Fantasia
Duração: 113 minutos


Poster e Trailer de "Wreck-It Ralph"

Foi divulgado um trailer para acompanhar o poster de Wreck-It Ralph, a nova animação da Disney. A história de um vilão de videojogos que, cansado de ser odiado pelos jogadores, se quer converter no herói contará com vozes de John C. Reilly, Jack McBrayer, Jane Lynch e Sarah Silverman na versão original. A realização ficará a cargo de Rich Moore. Wreck-It Ralph tem estreia marcada em Portugal para 6 de Dezembro.




domingo, 10 de junho de 2012

Citações: "Ninotchka"

«Ninotchka, it's midnight. One half of Paris is making love to the other half.»
Leon

Greta Garbo e Melvyn Douglas em Ninotchka.

Project X (2012)

O sonho de realizar a maior festa de sempre terá passado, nalguma altura, pela cabeça de todos nós e Project X faz isso mesmo, dá vida a esse sonho e trás-nos, de facto, a festa mais tresloucada, descontrolada e verdadeiramente épica. É o primeiro trabalho no grande ecrã, como realizador, de Nima Nourizadeh e que grande começo.

Qualquer tentativa de procurar um enredo profundo e com significado será inútil, isto é apenas a história de como três alunos do secundário tentam fazer uma festa de aniversário grande o suficiente para serem reconhecidos na escola. Infelizmente, noticias desta festa chegam a milhares de pessoas e a certa altura deixa de haver qualquer tipo de controlo. Aquilo que era suposto ser uma festa, entre amigos e conhecidos, num quintal tornou-se num cenário apocalíptico que ocupou um quarteirão inteiro.

O filme é gravado ao estilo cinéma vérité, sendo uma compilação editada de gravações 'caseiras', de várias fontes distintas, dos acontecimentos que levam a que a festa aconteça e a festa em si. Para os mais desinformados, isto não é parecido com The Hangover, poucas ou nenhumas semelhanças tem, apenas partilham alguns produtores, no entanto muitos esperam algo do género antes de o visualizarem e acabam por sair a achar que é um filme simplesmente rude, com actores amadores e mau trabalho de filmagem que incita o caos, o que não está longe da verdade, a níveis técnicos é um filme verdadeiramente mau, mas não é isso que se quer desde o inicio. Não é um filme com conteúdo, muito menos algo com um significado ou até um ponto moralista na história, nem foi isso que tentou atingir, é apenas uma gravação duma festa, a melhor festa, de 88 minutos com o objectivo de entreter, e isso sim, consegue e de que maneira.

Para além de ter sido completamente destruído por maior parte dos críticos é, de certa forma, triste ver como grande parte do público não conseguiu absorver a verdadeira essência desta experiência e decidem descartá-lo como se fosse um pedaço de lixo de cinema, quando na realidade não passa de uma festa, a simples demonstração do sonho de qualquer adolescente. Pessoalmente, achei simplesmente genial como conseguiram replicar todos os comportamentos típicos de uma juventude imatura num ambiente de completa liberdade e com acesso indiscriminado a imensas substâncias ilícitas, que, temos que admitir, é exactamente como os jovens de hoje iriam agir face tal situação. Todo o descontrolo que ocorre após a primeira parte do filme é de proporções nunca antes vistas, principalmente num ambiente realista como este, muito menos nos modestos subúrbios de Pasadena.

Quem estiver à espera de cinema, mais propriamente um filme a sério, mais vale dar meia volta e não olhar para trás, isto não é para vocês. Isto é para os que procuram diversão enquanto apreciam um bom balde de pipocas com um grupo de amigos, pois no meio de drogas, nudez, pessoas pequenas presas em fornos, cães voadores, adultos estranhos no meio de adolescentes, motins e um lança-chamas não há lugar para a decência nem para o que é moralmente aceitável. Assim, avalio este filme pelo seu factor de entretenimento e não pelo factor técnico.


Título Original: Project X (EUA, 2012)
Realizador: Nima Nourizadeh
Argumento: Matt Drake; Michael Bacall
Intérpretes: Thomas Mann; Oliver Cooper; Jonathan Daniel Brown; Dax Flame; Kirby Bliss Blanton; Brandy Hender; Alexis Knapp
Fotografia: Ken Seng
Género: Comédia
Duração: 88 minutos




sábado, 9 de junho de 2012

Sherlock Holmes: A Game of Shadows (2011)

Gosto de Guy Ritchie, talvez até mais do que a sua filmografia merece. Por outro lado, Sir Arthur Conan Doyle e a sua obra não me atraem particularmente, não morrendo eu de amores por Sherlock, Watson e companhia. De Moriarty ainda vou gostando, muito à custa das novelas gráficas da série The League of Extraordinary Gentlemen, mas, de facto, não guardo nenhum lugar especial no meu coração para o detective Vitoriano que dá nome à película e para seu fiel parceiro, ao contrário do que faço para nomes como Poirot ou Maigret. Possivelmente por isso, o Sherlock de Ritchie não me causa tanta impressão como a outros, mais adeptos dos contos policiais de Doyle.

Mas haverá sempre uma pergunta que se coloca a obras como esta: quão fiel ao trabalho original é a adaptação cinematográfica? Honestamente, pouco. O Mycroft de Ritchie é uma sombra do de Doyle, Mary Watson (anteriormente Morstan) passa o filme quase todo escondida, Irene Adler não tem nada a ver com a sua homóloga literária. Mais grave, Sherlock é tão irritante para lá da sua característica arrogância que as outras personagens têm dificuldade em o aturar. A mesma crítica havia sido feita em relação ao primeiro filme da franquia à data da sua passagem pelas salas de cinema. Sendo este uma sequela, o repara adequa-se, mas começa a perder valor. Já deu para perceber que, mais do que uma adaptação literal do imaginário criado por Doyle, Ritchie pretendia um reboot das personagens e histórias, quebrando pelo caminho os cânones que não lhe convinham e mantendo os que lhe interessavam para o desenvolvimento da fita.

Com Blackwood enforcado e um dos cliffhangers mais óbvios da história recente do cinema (o de Batman Begins foi finalmente ultrapassado), já se sabia que o vilão desta fita seria o Professor James Moriarty. O homem que espera dominar o globo com os seus engenhosos esquemas tem um intelecto apenas ao nível do de Sherlock Holmes, que ou pára os planos malévolos do seu opositor, ou assiste ao Mundo a arder. É no argumento que residem os principais problemas de Sherlock Holmes: A Game of Shadows. Afastar Irene Adler logo nos primeiros minutos de filme não foi a melhor das decisões, especialmente após tão impetuosa entrada em cena. Moriarty nunca parece capaz de ganhar a Holmes, mesmo quando, imagine-se, está prestes a ganhar. E Sherlock está cada vez mais excêntrico e insuportável, tanto que Watson já nem se dá ao trabalho de o tentar conter. Ultrapassando esses defeitos, e porque as virtudes da produção a eles se conseguem sobrepor, estamos perante um filme sólido.

É possível apreciar esta fita pelo filme de acção e aventura que é. Pelo thriller e pelo mistério também, mas com uma boa dose de paciência e algum afastamento da obra original à mistura. Pelo crime, nem tanto. Continuo a não gostar de Robert Downey Jr. como actor, mas, curiosamente, aqui acho-o competente; de Jude Law gosto, mas não o acho a escolha ideal para o papel. Quanto aos outros, vão estando bem, principalmente Jared Harris, que surpreende como Moriarty. As sequências de acção e de luta, seguindo a linha do primeiro filme e desenvolvendo-a mais um pouco, estão bem planeadas e, em conjunto, constituem um dos aspectos mais positivos do filme. A cena da luta final entre Holmes e o Professor é suficientemente interessante para ser recordada, pelo menos até que saia um novo capítulo da franquia, apesar de Ritchie quase ter estragado tudo com uma conclusão desnecessária. O resto vai-se mantendo dentro das expectativas. Melhor do que o primeiro? Sim, mas ainda abaixo do desejado.


Título Original: Sherlock Holmes: A Game of Shadows (EUA, 2011)
Realizador: Guy Ritchie
Argumento: Michele Mulroney, Kieran Mulroney (baseado nas personagens de Sir Arthur Conan Doyle)
Intérpretes: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Jared Harris, Stephen Fry
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Philippe Rousselot
Género: Acção, Aventura, Crime, Mistério, Thriller
Duração: 129 minutos


The Avengers (2012)

Na última década a febre dos super-heróis tem caído sobre milhões e já mostrou ter o potencial de gerar receitas extraordinárias nas bilheteiras. O mais recente conjunto de adaptações cinematográficas da Marvel é o exemplo perfeito, com Thor, Iron Man e Iron Man 2, Captain America e The Incredible Hulk, a culminarem num cross-over de proporções épicas que é The Avengers, realizado por Joss Whedon, a mente por trás da série de televisão de culto Buffy, The Vampire Slayer.

Loki (Tom Hiddleston) consegue transportar-se para a Terra após ter sido derrotado pelo seu irmão, Thor (Chris Hemsworth), e imediatamente rouba da S.H.I.E.L.D o Cosmic Cube, um objecto de imenso poder. Face a uma óbvia ameaça e declaração de guerra, Nick Fury (Samuel L. Jackson) recorre à ajuda dos super-heróis Captain America/Steven Rogers (Chris Evans), Iron Man/Tony Stark (Robert Downey Jr.), Hulk/Bruce Banner (Mark Ruffalo) e Thor, acompanhados dos melhores agentes da S.H.I.E.L.D, Black Widow/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) e Hawekeye/Clint Barton (Jeremy Renner). Juntos são capazes de coisas que sozinhos não seria possível e terão que usar essa vantagem para salvar a Terra, capturar Loki e recuperar o Cosmic Cube.

The Avengers é um filme que necessitou de cinco filmes diferentes para preparar todo o seu plano e história de fundo, o que, obviamente, cria grandes, talvez demasiadas, expectativas no público e nos fãs mais hardcore da BD, algo que é bastante arriscado e dispendioso sem algumas garantias de sucesso. Felizmente o filme consegue atender a algumas das expectativas mas continua a não ser o cross-over que todos esperavam.

Os efeitos especiais do filme são muito bons, o que, tendo em conta o orçamento, já era de esperar. No entanto o argumento não o melhor, entre tantas falhas em certos pontos e diálogos que tentam puxar ao lado mais cómico da situação mas que no final são simplesmente banais, com muita ênfase nas cenas de luta e com pouca profundidade nas personagens das quais se encontra pouco ou nada com que o público possa simpatizar, à excepção do Hulk/Bruce Banner que a meu ver será a melhor personagem do filme que também tem as melhores cenas. Em termo de desempenho de actores, todos estiveram bem e fizeram o que lhes era devido, mas não deu para ser aproveitado ao máximo devido ao argumento pouco consistente e muito focado numa só personagem, num filme onde existe um grande grupo de protagonistas importantes nenhum merece atenção especial e tal não acontece neste filme. Whedon tem momentos de pura genialidade, infelizmente acompanhados de momentos desapontantes, e embora na minha opinião tenha feito um trabalho razoável, continuo a achar que poderia ter sido muito melhor, não fossem os momento de clara preguiça e pouco empenho.

Definitivamente, um filme que será do agrado dos fãs da BD, e sendo eu um fã também à já algum tempo posso garantir isso. Mas terei sempre um sentimento de insatisfação por algo que esperei muito tempo e após criar imensas expectativas, à espera de um épico descomunal que fizesse justiça a toda a complexidade do universo da Marvel, e tendo em conta que isto não é só um filme, mas sim uma saga de filmes originalmente independentes, com pequenos tie-ins aqui e ali, que se juntam para contar uma história, logo à que ver isto como um todo e não só este filme.

Dito isto, continua a ser um filme a não perder e com as próximas sequelas já anunciadas ainda se pode ter esperança para algo que seja um pouco mais consistente e por fim arrebatador.


Título Original: The Avengers (EUA, 2012)
Realizador: Joss Whedon
Argumento: Joss Whedon; Zak Penn; Stan Lee (B.D.); Jack Kirby (B.D.)
Intérpretes: Chris Evans; Robert Downey Jr.; Mark Ruffalo; Chris Hemsworth; Scarlett Johansson; Jeremy Renner; Tom Hiddleston; Clark Gregg; Cobie Smulders; Samuel L. Jackson
Música: Alan Silvestri
Fotografia: Seamus McGarvey
Género: Acção; Aventura; Ficção-Científica
Duração: 143 minutos


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Larry Crowne (2011)

Depois de ter servido na Marinha, Larry Crowne (Tom Hanks) julgava ter emprego garantido como gerente de uma grande superfície comercial. Só que, do nada, Larry é dispensado pela empresa, e, sem emprego, vê-se inundado de dívidas que não consegue pagar. Os tempos são de crise. Sem instrução universitária, Larry não encontra quem lhe dê trabalho. Até que um vizinho (Cedric the Entertainer) sugere que Larry se matricule na Universidade local e faça algumas cadeiras que lhe ajudem a criar currículo. Obrigado a deixar a sua antiga vida para trás e a começar de novo, Larry aceita o conselho e inscreve-se num curso universitário.

O protagonismo ou a mera presença de Tom Hanks num filme constituirá por si só motivo suficiente para muita gente o ver. Junte-se a essa função a de realizador e argumentista e a curiosidade aumentará consideravelmente. Ou não. Larry Crowne, o filme, não passa de um fraco exercício de cinema, marcado por interpretações medianas de gente com talento para fazer mais e por uma realização que, infelizmente, nunca chega a convencer por inteiro. Fosse esta a primeira aventura de Hanks na realização e estaria encontrada a desculpa para uma das falhas; mas depois de várias tentativas em filmes, filmes para televisão e episódios de mini-séries esperava-se mais do veterano actor nesta sua nova função. Do argumento o mesmo. Vazio e subaproveitado, entre Hanks e Nia Vardalos (My Big Fat Greek Wedding) seria de esperar que alguém soubesse o que fazer. As personagens de Julia Roberts e Bryan Cranston mereciam mais atenção e desenvolvimento. Pam Grier quase nem aparece. George Takei, em clara paródia aos seus próprios tiques, surge ridículo na pele do professor de Economia. Os únicos pontos positivos acabam por ser as interpretações de Gugu Mbatha-Raw e Tom Hanks, que, mesmo estando vários furos abaixo da sua capacidade máxima, chega para o resto do elenco, celebridades incluídas. Não é de todo mau, mas entre comédia romântica e crítica social ao desemprego numa América em crise económica e de valores vai-se perdendo. Não chateia, é verdade, mas também não cativa. Abordagem errada a um filme que tinha quase tudo para ser melhor.


Título Original: Larry Crowne (EUA, 2011)
Realizador: Tom Hanks
Argumento: Tom Hanks, Nia Vardalos
Intérpretes: Tom Hanks, Julia Roberts, Gugu Mbatha-Raw, Cedric the Entertainer
Música: James Newton Howard
Fotografia: Philippe Rousselot
Género: Comédia, Drama, Romance
Duração: 98 minutos



Citações: "Shaft"

«You know me. It's my duty to please that booty!»
Shaft

Samuel L. Jackson como Shaft.

Trailer de "Premium Rush"

Curiosamente, 4 de Outubro é dia de estreia para dois filmes protagonizados por Joseph Gordon-Levitt: Looper e Premium Rush. O último, realizado por David Koepp (Secret Window), conta a história de um estafeta em Manhattan encarregado de entregar um pacote que atrai a atenção de um polícia corrupto.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Essential Killing (2010)

Entre vales e grutas, um homem que pode muito bem ser um terrorista pega num lança-rockets e faz explodir três soldados americanos. Perseguido por um helicóptero, cedo é capturado por militares que o rodeiam. Interrogado e torturado, consegue escapar da custódia dos seus captores enquanto é transportado para um black site algures na Europa (talvez na Polónia natal de Skolimowski). A fuga surge-lhe de forma tão inverossímil e improvável que nem ele consegue acreditar na sua sorte. A custo, vai fugindo, sobrevivendo como pode e do que vai encontrando, ora na Natureza, ora nas pessoas com quem se cruza.

Não há como enganar: Essential Killing é um one-man show de Vincent Gallo. Ou antes seria, não tivesse o actor de dividir o protagonismo com a realização de Jerzy Skolimowski. Tanto um como o outro vão construindo o filme à custa do seu metódico trabalho, o primeiro entregando-se de corpo e alma à personagem que interpreta, o segundo, por detrás das câmaras, orientando todo o espectáculo por ele criado. Outras personagens vão surgindo, mas tão depressa se somem como aparecem. A presença de Emmanuelle Seigner na fita pode parecer fugaz e mal aproveitada, mas facilmente se percebe que não seria possível dar um destino diferente à sua personagem. Mohammed, conforme é identificada a personagem de Gallo nos créditos finais, é a única constante durante todo o filme, ocupando o ecrã e a atenção de quem o vê durante a hora e pouco que a película dura. É difícil perceber se é um terrorista ou "apenas" um civil descontente com a presença militar estrangeira no seu país, mas a verdade é que o homem que começa o filme nos poeirentos vales de um qualquer país árabe (será?) vai averbando "morte essencial" atrás de "morte essencial", justificando as suas acções com um Deus que é o dele. Num país que não é o dele, em condições que não controla, o recurso a técnicas de sobrevivência primitivas e a actos que roçam o impensável afirma-se como a única solução possível se o homem quiser resistir aos obstáculos que lhe vão sendo colocados. Mais animal assustado do que fanático religioso, Gallo vai construindo o retrato de um marginalizado, convencido a matar por doutrinas pouco escrupulosas que se aproveitaram das suas convicções em relação a Alá e ao Corão.

Esta não é a guerra que Jerzy Skolimowski viveu enquanto criança. Mas é-lhe cara na mesma, não fossem presenças militares estrangeiras, indesejadas, um dos elementos caracterizadores da IIª Grande Guerra na Polónia em que cresceu. Tecnicamente, o filme é quase irrepreensível. Ideologicamente, vai mostrando as convicções do realizador sem o comprometer demasiado. A obra de Skolimowski revela-se um elemento polarizador de públicos e opiniões. Vilão ou (anti) herói? Bom ou Mau? Aceitável ou inconcebível? Todas estas opções cabem num mesmo espectro, nem sempre perceptível para os intervenientes de guerras feitas à despesa de personagens sem nome, ou para os que se encontram do lado de fora delas. A sua interpretação cabe a quem estiver disposto e se sentir capaz de a fazer.


Título Original: Essential Killing (Irlanda/Hungria/Noruega/Polónia, 2010)
Realizador: Jerzy Skolimowski
Argumento: Jerzy Skolimowski, Ewa Piaskowska, James McManus
Intérpretes: Vincent Gallo, David L. Price, Emmanuelle Seigner
Música: Pawel Mykietyn
Fotografia: Adam Sikora
Género: Guerra, Thriller
Duração: 83 minutos



Trailer de "Django Unchained"

Foi divulgado o primeiro trailer de Django Unchained, o próximo filme de Quentin Tarantino. A fita, que conta com nomes como Jamie Foxx, Christoph Waltz, Samuel L. Jackson e Leonardo DiCaprio, tem estreia marcada para 24 de Janeiro de 2013 em Portugal.


Poster e Trailer de "Looper"

4 de Outubro chega aos cinemas portugueses Looper, um dos filmes a ter em conta este ano no panorama do cinema Fantástico. A realização ficou a cargo de Rian Johnson (The Brothers Bloom), com interpretações de Joseph Gordon-Levitt (Inception), Bruce Willis (Pulp Fiction) e Emily Blunt (The Adjustment Bureau), entre outros.




quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sherlock Holmes (2009)

Sherlock Holmes, realizado em 2009 por Guy Ritchie, conta com a dupla Robert Downey Jr. e Jude Law nos papéis de Holmes e Watson, respectivamente. Como já pôde concluir pelo título, esta longa-metragem retrata a mítica dupla de detectives Sherlock Holmes, cujos métodos são muito pouco ortodoxos, e, como não poderia deixar de ser, o seu eterno parceiro, Watson. Nesta produção, a dupla terá de investigar uma série de homicídios com o mesmo modus operandis que ocorrem num curto espaço de tempo, indícios que apontam para um assassino em série. Todavia esta investigação viria a tornar-se muito mais complexa do que qualquer um dos dois poderia ter imaginado, misturando aspectos religiosos e cultos numa panóplia de acontecimentos surreais.

Na minha humilde opinião, este é um filme bastante interessante com um bom argumento de Michael Johnson e Anthony Peckham. Para além desta realização apresentar uma boa história com a capacidade de agarrar os espectadores ao grande ecrã, as actuações não desiludem. Robert Downey Jr., um actor mais que reconhecido na indústria do cinema, consegue captar a personalidade algo insana de Sherlock Holmes muitíssimo bem. Por outro lado, Jude Law, no papel de Watson, também apresenta uma actuação deveras interessante. Por mim, não podiam ter escolhido uma melhor dupla para captar esta longa relação de amizade e negócios existente entre as duas personagens lendárias.

Falando agora a um nível mais técnico, os efeitos especiais estão satisfatórios, com poucos reparos a precisarem de ser feitos, e a banda sonora consegue acompanhar a acção do filme e torná-lo ainda mais interessantes para todos os espectadores. Para quem gosta de filmes de detectives este é simplesmente um must. Seja no cinema ou no conforto de sua casa, veja-o.


Título Original: Sherlock Holmes (Alemanha/EUA/Reino Unido, 2009)
Realizador: Guy Ritchie
Argumento: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham, Simon Kinberg, Lionel Wigram (baseado nas personagens de Sir Arthur Conan Doyle)
Intérpretes: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Robert Maillet, Kelly Reilly
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Philippe Rousselot
Género: Acção, Aventura, Crime, Mistério, Thriller
Duração: 128 minutos


Trailer de "The Perks of Being a Wallflower"

Foi divulgado o primeiro trailer de The Perks of Being a Wallflower, a nova aventura de Stephen Chbosky na realização. Adaptado do seu próprio livro, Chbosky dirigirá um elenco que contará com nomes como Emma Watson (saga Harry Potter), Logan Lerman (Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief), Paul Rudd (Our Idiot Brother) e Ezra Miller (We Need to Talk About Kevin). A fita tem estreia marcada nos EUA para 14 de Setembro deste ano.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Citações: "Pulp Fiction" #1

Vincent: «Yeah, but do you consider a dog to be a filthy animal?»
Jules: «I wouldn't go so far as to call a dog filthy, but they're definitely dirty. But, a dog's got personality. Personality goes a long way.»
Vincent: «Ah, so by that rationale, if a pig had a better personality, he would cease to be a filthy animal. Is that true?»
Jules: «Well, we'd have to be talkin' about one charming motherfucking pig. I mean, he'd have to be ten times more charming than that Arnold on "Green Acres", you know what I'm saying?»

  John Travolta e Samuel L. Jackson em Pulp Fiction.

Trailer de "Les Misérables"

Já foi divulgado o primeiro teaser trailer de Les Misérables. A mais recente adaptação do romance de Victor Hugo contará com Hugh Jackman como Jean Valjean, Russell Crowe como Javert e Anne Hathaway como Fantine. A realização ficará a cargo de Tom Hooper, vencedor do Oscar de Melhor Realizador por The King's Speech. A estreia está prevista para final deste ano ou início do próximo.


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Banda Sonora: "American Wedding"

Laid, de James, interpretada por Matt Nathanson.




A propósito do concerto dos James o fim-de-semana passado no Rock in Rio Lisboa, é sempre bom relembrar alguns dos antigos sucessos da banda. Este, pela voz de Matt Nathanson, marcou a franquia American Pie, figurando na banda sonora de American Wedding.

Posters e Trailer de "The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2"

15 de Novembro estreia em Portugal o último capítulo (até ver) da franquia multimilionária Twilight. Depois de dirigir a primeira parte, Bill Condon volta a sentar-se na cadeira de realizador para este The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2. Para já, foram divulgados três posters das personagens principais da série e um teaser trailer do que está para vir.





Citações: "Sherlock Holmes" #1

Watson: «Your boys have done a magnificent job of obliterating any potential evidence.»
Sherlock Holmes: «Yes, but at least they never miss an opportunity... to miss an opportunity.»

Robert Downey Jr. e Jude Law em Sherlock Holmes.

domingo, 3 de junho de 2012

Battle: Los Angeles (2011)

Se a Terra algum dia for vítima de uma invasão alienígena o mais certo é que alguns dos primeiros alvos a abater se situem nos EUA. Em Battle: Los Angeles os extra-terrestres atacam vinte cidades costeiras de dezassete países. Como o título indica, Los Angeles é uma delas e acção passar-se-á por lá. Como o título também indica, das vinte cidades só uma resistirá às ofensivas dos invasores, com os americanos a serem os únicos com a organização e os recursos necessários para fazer frente à investida alienígena. Estes, personificados nas figuras de um sargento perseguido pelos seus demónios pessoais (Aaron Eckhart, a merecer um papel melhor do que o que recebeu) e da sua fiel tropa de bem treinados Marines (onde se destaca Michelle Rodriguez, em mais do mesmo a que já nos habitou), irão liderar a humanidade na resposta aos ataques vindos de outro mundo, e recuperar uma cidade destruída por uma guerra, ao início, desequilibrada. Havia outros sítios mais óbvios por onde começar a contra-ofensiva, mas como Hollywood costuma dar-se mais importância do que realmente tem escolheu-se Los Angeles. Tudo bem, também não será por aí que o filme peca.

Que os norte-americanos gostam de se ver como os paladinos do Mundo já não é novidade para ninguém. Sejam extra-extraterrestre malignos, zombies devoradores de gente ou vampiros sedentos de sangue, são eles que contêm a ameaça e preparam a contra-ofensiva. Ao princípio podia parecer engraçado, mas vários anos do mesmo esgotaram-lhe o falso sentimento de heroísmo e puseram a descoberto a visão redutora que os EUA (e, em particular, Hollywood) têm do resto do Mundo. Este Battle: Los Angeles não foge à regra (como poderia?) e vai servindo como publicidade para os patrióticos Marines, sempre dispostos a derramar o seu sangue, e, já agora, o dos seus adversários, em nome da sua nação. Variando entre boletim de informação, com o coro de vozes a ecoar em comunicações por rádio e avisos à navegação, e modo de guerrilha urbana, a fita funciona como bom entretenimento, leve e desenhado a pensar em quem não o quer fazer. Não é tão mau quanto alguns possam julgar, mas está longe de ser o melhor dentro do seu género. Muito longe.


Título Original: Battle: Los Angeles (EUA, 2011)
Realizador: Jonathan Liebesman
Argumento: Christopher Bertolini
Intérpretes: Aaron Eckhart, Ramon Rodriguez, Cory Hardrict, Ne-Yo, James Hiroyuki Liao, Will Rothhaar, Bridget Moynahan, Jim Parrack, Michelle Rodriguez
Música: Brian Tyler
Fotografia: Lukas Ettlin
Género: Acção, Ficção-Científica
Duração: 116 minutos


Trailer de "The Amazing Spider-Man"

Com a estreia a aproximar-se, não param de surgir na web trailers de The Amazing Spider-Man. Este é um antevisão de 4 minutos do que está para vir. O reboot cinematográfico da famosa BD da Marvel conta com realização de Marc Webb [(500) Days of Summer] e com nomes como Andrew Garfield (Peter Parker), Emma Stone (Gwen Stacy) e Rhys Ifans (The Lizard) nos principais papéis da produção. O filme chega às salas de cinema nacionais dia 5 de Julho.


sábado, 2 de junho de 2012

Valhalla Rising (2009)

Vi Valhalla Rising pela primeira vez na edição de 2010 do Fantasporto. Na altura não gostei. Alguns meses mais tarde, provavelmente mais de um ano depois, voltaria a ter contacto com o filme. À segunda já me pareceu melhor. Mas continuei a não gostar totalmente da fita.

Voltemos ao início. Quando apanhei a película dinamarquesa naquela agora distante edição do Fantasporto era já o último dia do festival. Os filmes premiados pelos júris estavam a ser exibidos, e o cansaço acumulado durante uma semana de muito cinema já se fazia notar, eliminando quase totalmente a disposição para ver filmes de difícil digestão. Valhalla Rising havia recebido "apenas" uma menção especial do júri da secção de Cinema Fantástico, tornando-o menos atractivo para o público do que os filmes realmente premiados e empurrando-o para o horário do início da tarde. A seu favor tinha uma sinopse que o descrevia como um filme de acção passado no tempo dos vikings e a realização de Nicolas Winding Refn, à data a gozar o sucesso de Bronson, a sua anterior aventura cinematográfica. Os prós pesavam mais do que os contras, e a decisão de o ir ver parecia natural. Parecia, só.

Na verdade, Valhalla Rising estava longe de ser algo sequer parecido com o publicitado nos programas do festival. One Eye (Mads Mikkelsen) é um escravo mudo dotado de uma força sobrenatural. Obrigado a lutar, anseia por um paraíso a que não tem a certeza se pertencerá. O problema é que One Eye é demasiado bom no que faz, e os corpos dos seus adversários vão-se amontoando à sua passagem. A morte tarda a vi-lo reclamar, afastando cada vez mais dele o tão esperado paraíso. Até que, com a ajuda de um rapaz chamado Are, One Eye foge aos seus senhores escoceses e se junta a um grupo de vikings de partida para Jerusalém. Cristãos, os nórdicos sonham reconquistar a Terra Santa. Será esse o paraíso que One Eye espera encontrar?

Mais do que de difícil digestão, o filme é de complicada compreensão. Dividida em capítulos e concebida como uma espécie de trip de ácidos (palavras do próprio realizador), o intrincado simbolismo dificulta o entendimento da obra, e a falta de diálogo não ajuda à tarefa. Para Refn, parece que a espiritualidade nasce do encontro da terra com o céu (conforme representado por vários planos e enquadramentos escolhidos) e que a religião surge do sangue e da violência. O olho que falta ao protagonista pode muito bem ser o que também falta a Odin, ficando explicadas as visões que One Eye tem do futuro.Visões banhadas a sangue, primeiro dos outros, depois do seu. O nevoeiro vai-se adensando com a confusão em relação a um paraíso cada vez inatingível. Entre os escoceses e os vikings é difícil determinar quais os piores. Serão os que o obrigam a lutar sem nenhuma razão maior? Ou os que justificam as suas mortes com Deus?

À segunda visualização já dá para ir percebendo melhor alguns dos aspectos da fita. E para dar valor à interpretação de Mads Mikkelsen, que passa o filme todo sem dizer uma única palavra. No final, o sacrifício de One Eye acaba por ser também o seu. A violência característica do trabalho de Refn encontra-se bem presenta nesta obra.Visceral, é capaz de incomodar sem nunca obrigar a tirar os olhos do ecrã. Quem tiver visto Drive antes das restantes obras do dinamarquês poderá ter ficado a pensar que a violência gráfica seria artifício de um filme só. Pois bem, tem-se em Valhalla Rising uma boa oportunidade para comprovar o contrário. Refn é já um nome destacado no panorama do cinema europeu. Sozinho, atrás das câmaras, vai manipulando luz e sombra, planos e ângulos, personagens e história. No entanto, apreciador do ritmo lento, o seu estilo de realização não agradará a todos.

Valhalla Rising vai melhorando com o número de visualizações. Mas não o suficiente para valer o tempo gasto em sucessivas análises ou em vãs tentativas de o compreender na sua totalidade. A vontade de encontrar razões para lhe dar uma nota melhor é muita, mas facilmente nos apercebemos que tal, se não impossível, é complicado. Encontrá-lo a meio da escala pontual? Talvez um pouco mais acima? Parece justo. Refn bem pode agradecer a Mads, ao seu director de fotografia (Morten Søborg fez um trabalho espantoso) e ao seu próprio talento. Fora essas excepções, Valhalla Rising não passa de um devaneio filosófico do nórdico.


Título Original: Valhalla Rising (Dinamarca/Reino Unido, 2009)
Realizador: Nicolas Winding Refn
Argumento: Roy Jacobsen, Nicolas Winding Refn
Intérpretes: Mads Mikkelsen, Maarten Stevenson, Ewan Stewart, Gary Lewis, Alexander Morton
Música: Peter Kyed, Peterpeter
Fotografia: Morten Søborg
Género: Acção, Aventura, Histórico
Duração: 93 minutos